terça-feira, 27 de outubro de 2009



(Texto do site da AMF - Associação Mineira de Fisioterapia)


MOBILIZAÇÃO NACIONAL PELA DIGNIDADE DA FISIOTERAPIA - Aos usuários do serviço de Fisioterapia
MOBILIZAÇÃO NACIONAL PELA DIGNIDADE DA FISIOTERAPIA
25/11/09 - PÁTIO DA OAB - BRASÍLIA


"AOS DIGNÍSSIMOS USUÁRIOS DOS SERVIÇOS DE FISIOTERAPIA.

Está se tornando praticamente impossível a manutenção dos nossos serviços, pois a cada dia que passa os planos de saúde nos colocam em uma situação mais difícil. Apesar dos valores pagos por seus clientes aumentarem quase que mensalmente, inacreditavelmente estes mesmos planos não reajustam nossas tabelas de pagamento há mais de 10 anos, e note que neste período o salário mínimo pulou de 70 para 465 reais. Hoje lutamos para sobreviver por conta de convênios que nos remuneram com os absurdos valores de 3 a 7 reais líquidos, em um aviltamento de nossas atividades que esta nos pondo às portas da falência, bem como nos colocando no limite do que é ético e digno para com a sociedade. Com valores tão baixos a necessidade de aumentar o volume de pacientes atendidos por dia está beirando o impossível, e não existe como evitar a diminuição da qualidade do serviço prestado.

É justo o fisioterapeuta não ter honorários reajustados há tanto tempo?

É justo o fisioterapeuta trabalhar incansavelmente em prol da saúde e qualidade de vida de tantos, e não ter uma boa saúde pelo excesso de serviço, múltiplas jornadas de trabalho e uma péssima qualidade de vida?

Enquanto os cidadãos pagam religiosamente seus convênios com valores freqüentemente reajustados, os mesmos são obrigados a freqüentar clínicas super lotadas e serem acolhidos por profissionais extremamente desmotivados pelos valores que recebem, muitos deles desatualizados por não terem recursos suficientes para freqüentarem cursos de aprimoramento.

É preocupante a queda da qualidade da saúde brasileira imposta pelos planos de saúde.

Os profissionais de saúde estão com o pires nas mãos e o principal prejudicado é o paciente. Enquanto há dez anos um fisioterapeuta necessitava atender entre 3 a 4 clientes por dia, para se manter de forma digna e ter condição de por alimentos em sua mesa, hoje este mesmo trabalhador necessita atender a 20 ou mais pacientes diariamente somente para empatar as receitas com as despesas mensais.

Não obstante o caos da saúde publica brasileira, a rede privada caminha para o mesmo ponto, pois com remunerações próximas de 3 a 7 reais líquidos por atendimento é impossível que se conceba um tratamento compatível com formações que demandam anos de estudos e altos custos.

Vinte pacientes divididos por 8 horas de atendimento dão uma média de 25 minutos por paciente, sem contar que para que haja um lucro mínimo é necessário que se dobre este número, isso deixa cada atendimento com pouco mais de dez minutos. E a qualidade, como fica?

Quando o serviço que é prestado aos que podem pagar convênios se deteriora e perde a qualidade, imaginem a situação dos que dependem das políticas publicas e da boa vontade dos governos federais, estaduais e municipais. É preciso ter em mente que hoje são necessários pelo menos 10 atendimentos de convênio para que um fisioterapeuta receba o equivalente a 1 atendimento particular. Há pouco mais de dez anos eram necessários apenas 2 atendimentos de convênio para contemplar o valor de 1 particular. Enquanto uma consulta particular varia entre 30 a 100 reais, dependendo do caso, os convênios nos pagam, repetimos, de 3 a 7 reais líquidos por atendimento. Anos de formação acadêmica e de aprimoramento estão sendo remunerados por muito menos que uma visita a uma manicure.

O cuidado, a individualização e a atenção necessários a um bom atendimento, a cada dia que passa dá espaço ao atendimento coletivo e massificado. Isso compromete os resultados e nos coloca em uma situação muito difícil, pois diariamente são menos os fisioterapeutas com uma formação mais aprimorada que se submetem a estes valores, ficando este mercado para os iniciantes ou até mesmo para alunos em fase de aprendizado.

Sem falar que a maioria dos hospitais públicos e privados sequer possui fisioterapeutas contratados em seus quadros profissionais, e quando os possuem são em número insuficiente. A grande maioria destes atendimentos é feitos por alunos das diversas faculdades, ou por profissionais terceirizados, pois ao contrário da enfermagem e da medicina, NÃO EXISTEM EMPREGOS FORMAIS PARA FISIOTERAPEUTAS.

Diante deste quadro caótico, algumas soluções foram pensadas objetivando a restauração de um relacionamento justo, digno e humano entre a Fisioterapia, os serviços de saúde e a sociedade. Elas passam pela adoção imediata do Referencial Nacional de Honorários do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional, pela contratação de fisioterapeutas para os serviços hospitalares públicos e privados, pela aprovação do piso salarial nacional para a nossa categoria e pela contratação de fisioterapeutas nos PSF’s.

Esta é uma luta que contempla toda a sociedade, pois almeja uma saúde digna.

É por isso que lutamos, e por este motivo pedimos a sua ajuda e atenção. Lutamos pela dignidade do ser humano enquanto paciente e necessitado de auxílio especializado. A população brasileira paga muito caro por seus impostos e planos de saúde, não é justo que recebam atendimentos comprometidos pela baixa remuneração de seus prestadores, pela absoluta falta de contratação de fisioterapeutas por parte dos serviços públicos e privados brasileiros, bem como que deixem de receber o que lhes é garantido pela constituição federal, onde diz que saúde é dever do estado e direito do cidadão.

Apesar do alarmante número de pacientes necessitados de atendimentos fisioterapêuticos, estes inexistem nas equipes do PSF e muitas equipes do NASF também não contam com este profissional. Ainda no serviço público, os centros de atendimentos fisioterapêuticos encontram-se tão lotados que a média de espera por atendimento é de meses, tempo em que os quadros clínicos dos pacientes agravam-se de forma assustadora. Quem previne disfunções ou cuida de nossos sequelados? Quem lhes garante o restabelecimento de suas funções?

Dia 25 de novembro DE 2009 estaremos em Brasília, na sede da OAB, suplicando por políticas publicas de saúde que envolva a fisioterapia porque isso é UMA NECESSIDADE DA POPULAÇÃO. Estaremos implorando à ANS a implementação da Saúde Funcional.

A fisioterapia não é um luxo como alguns pensam, é na verdade uma necessidade absoluta, e dela dependem milhares de pacientes para a prevenção de doenças, correção de deformidades e o restabelecimento de suas funções.

Dignidade em saúde se alcança com respeito. Respeito ao cidadão e ao profissional na execução e remuneração de seus atos.

Senhores cidadãos brasileiros e usuários de planos de saúde defendam seus direitos junto aos governantes e aos seus convênios, cobrem dos mesmos o que se comprometeram a dar. Fisioterapia também é dever do estado e direito do cidadão, exijam seus direitos e não aceitem pagar caro por planos que explorem a mão de obra dos profissionais de saúde. Quem se filia a planos de saúde que remuneram mal aos seus prestadores torna-se vítima destes mesmos planos.
Aliem-se a esta luta, ela á a garantia de uma saúde melhor, mais digna e mais democrática.

Comissão Nacional da MOBILIZAÇÃO PELA DIGNIDADE DA FISIOTERAPIA.
Comissões Regionais da MOBILIZAÇÃO PELA DIGNIDADE DA FISIOTERAPIA.

Comissão Nacional e Regional da Mobilização14/10/2009 "

(Texto retirado do site da Associação Mineira de Fisioterapia- AMF)




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