quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Síndrome da Imobilização


O termo Síndrome da imobilização, apesar de muito usado por geriátras e gerontólogos é pouco conhecido por médicos de outras especialidades e pela população em geral. Consiste num complexo de sinais e sintomas resultantes da supressão de todos os movimentos articulares e, por conseguinte, da incapacidade de mudança postural.

Para caracterizá-la deve-se utilizar critérios que orientem o diagnóstico da síndrome e que tenham características próprias. O critério maior seria déficit cognitivo médio a grave e múltiplas contraturas. No critério menor consideram-se os sinais de sofrimento cutâneo ou úlcera por pressão, disfagia leve a grave, dupla incontinência e afasia.

Define-se como paciente com Síndrome da Imobilidade quando um paciente apresenta as características do critério maior e pelo menos duas do critério menor.

As causas do imobilismo são as mais diversas, onde o resultado de todos esses problemas seria em última instância o equilíbrio precário, quedas, limitação da marcha, perda da independência, imobilidade no leito e finalmente suas complicações.

Muitas vezes cura-se a doença de base, mas a independência e imobilidade já estão instaladas irremediavelmente.

As consequências da imobilidade são a deterioração funcional dos diversos sistemas, além da senescência normal, chegando finalmante à Síndrome da imobilização.

Algumas dos sistemas atingidos são:

-Sistema Tegumentar: Micoses, Xerose, Laceração, dermatite amoniacal, úlcera por pressão, equimoses.

-Sistema esquelético: Alterações articulares, osteoporose.

-Sistema Muscular: Perda de força, contraturas.

-Sistema Cardiovascular: Trombose venosa profunda, embolia pulmonar, Isquemia arterial aguda dos membros inferiores.

-Sistema urinário: Incontinência urinária, Infecção do trato urinário.

-Sistema digestivo: Desnutrição, Constipação, disfagia, distúrbio neuropsiquico.

-Sistema respitarório: Pneumonia e outras doenças estruturais.

Diante de tantas alterações constata-se que a Síndrome do Imobilismo é de grande sofrimento tanto para os pacientes quanto aos familiares. Fato é que desde 1860 o repouso no leito foi reconhecido como modalidade terapêutica a fim de poupar os "humores ou energia, a partir daí passou a ser adotado de forma abusiva para muitos processos mórbidos. O conceito de "repouso necessita ser atualizado e desmistificado de tal forma que permita a mobilização precoce no pós-operatório e reabilitação geriátrica de modo a deixar o idoso no leito somente o tempo necessário e se necessário. A fisioterapia geriátrica tem papel fundamental nesse paciente e visa prevenir que o idoso fique restrito ao leito e possa fazer com que possa manter-se útil e ativo.


Manuela Belo Franco Bárbara

Fisioterapeuta pós-graduanda em fisioterapia geriátrica pela FCMMG


Atendimento domiciliar em Belo Horizonte
Bibliografia:
Tratado de Geriatria e Gerontologia. Freitas, E.V.; Py, L.; Neri, A. L.; Cançado, F. A. X.C.; Gorzoni, M.L. ; Doll, J. 2ª. Edição. Editora Guanabara Koogan, 2006.


terça-feira, 27 de outubro de 2009



(Texto do site da AMF - Associação Mineira de Fisioterapia)


MOBILIZAÇÃO NACIONAL PELA DIGNIDADE DA FISIOTERAPIA - Aos usuários do serviço de Fisioterapia
MOBILIZAÇÃO NACIONAL PELA DIGNIDADE DA FISIOTERAPIA
25/11/09 - PÁTIO DA OAB - BRASÍLIA


"AOS DIGNÍSSIMOS USUÁRIOS DOS SERVIÇOS DE FISIOTERAPIA.

Está se tornando praticamente impossível a manutenção dos nossos serviços, pois a cada dia que passa os planos de saúde nos colocam em uma situação mais difícil. Apesar dos valores pagos por seus clientes aumentarem quase que mensalmente, inacreditavelmente estes mesmos planos não reajustam nossas tabelas de pagamento há mais de 10 anos, e note que neste período o salário mínimo pulou de 70 para 465 reais. Hoje lutamos para sobreviver por conta de convênios que nos remuneram com os absurdos valores de 3 a 7 reais líquidos, em um aviltamento de nossas atividades que esta nos pondo às portas da falência, bem como nos colocando no limite do que é ético e digno para com a sociedade. Com valores tão baixos a necessidade de aumentar o volume de pacientes atendidos por dia está beirando o impossível, e não existe como evitar a diminuição da qualidade do serviço prestado.

É justo o fisioterapeuta não ter honorários reajustados há tanto tempo?

É justo o fisioterapeuta trabalhar incansavelmente em prol da saúde e qualidade de vida de tantos, e não ter uma boa saúde pelo excesso de serviço, múltiplas jornadas de trabalho e uma péssima qualidade de vida?

Enquanto os cidadãos pagam religiosamente seus convênios com valores freqüentemente reajustados, os mesmos são obrigados a freqüentar clínicas super lotadas e serem acolhidos por profissionais extremamente desmotivados pelos valores que recebem, muitos deles desatualizados por não terem recursos suficientes para freqüentarem cursos de aprimoramento.

É preocupante a queda da qualidade da saúde brasileira imposta pelos planos de saúde.

Os profissionais de saúde estão com o pires nas mãos e o principal prejudicado é o paciente. Enquanto há dez anos um fisioterapeuta necessitava atender entre 3 a 4 clientes por dia, para se manter de forma digna e ter condição de por alimentos em sua mesa, hoje este mesmo trabalhador necessita atender a 20 ou mais pacientes diariamente somente para empatar as receitas com as despesas mensais.

Não obstante o caos da saúde publica brasileira, a rede privada caminha para o mesmo ponto, pois com remunerações próximas de 3 a 7 reais líquidos por atendimento é impossível que se conceba um tratamento compatível com formações que demandam anos de estudos e altos custos.

Vinte pacientes divididos por 8 horas de atendimento dão uma média de 25 minutos por paciente, sem contar que para que haja um lucro mínimo é necessário que se dobre este número, isso deixa cada atendimento com pouco mais de dez minutos. E a qualidade, como fica?

Quando o serviço que é prestado aos que podem pagar convênios se deteriora e perde a qualidade, imaginem a situação dos que dependem das políticas publicas e da boa vontade dos governos federais, estaduais e municipais. É preciso ter em mente que hoje são necessários pelo menos 10 atendimentos de convênio para que um fisioterapeuta receba o equivalente a 1 atendimento particular. Há pouco mais de dez anos eram necessários apenas 2 atendimentos de convênio para contemplar o valor de 1 particular. Enquanto uma consulta particular varia entre 30 a 100 reais, dependendo do caso, os convênios nos pagam, repetimos, de 3 a 7 reais líquidos por atendimento. Anos de formação acadêmica e de aprimoramento estão sendo remunerados por muito menos que uma visita a uma manicure.

O cuidado, a individualização e a atenção necessários a um bom atendimento, a cada dia que passa dá espaço ao atendimento coletivo e massificado. Isso compromete os resultados e nos coloca em uma situação muito difícil, pois diariamente são menos os fisioterapeutas com uma formação mais aprimorada que se submetem a estes valores, ficando este mercado para os iniciantes ou até mesmo para alunos em fase de aprendizado.

Sem falar que a maioria dos hospitais públicos e privados sequer possui fisioterapeutas contratados em seus quadros profissionais, e quando os possuem são em número insuficiente. A grande maioria destes atendimentos é feitos por alunos das diversas faculdades, ou por profissionais terceirizados, pois ao contrário da enfermagem e da medicina, NÃO EXISTEM EMPREGOS FORMAIS PARA FISIOTERAPEUTAS.

Diante deste quadro caótico, algumas soluções foram pensadas objetivando a restauração de um relacionamento justo, digno e humano entre a Fisioterapia, os serviços de saúde e a sociedade. Elas passam pela adoção imediata do Referencial Nacional de Honorários do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional, pela contratação de fisioterapeutas para os serviços hospitalares públicos e privados, pela aprovação do piso salarial nacional para a nossa categoria e pela contratação de fisioterapeutas nos PSF’s.

Esta é uma luta que contempla toda a sociedade, pois almeja uma saúde digna.

É por isso que lutamos, e por este motivo pedimos a sua ajuda e atenção. Lutamos pela dignidade do ser humano enquanto paciente e necessitado de auxílio especializado. A população brasileira paga muito caro por seus impostos e planos de saúde, não é justo que recebam atendimentos comprometidos pela baixa remuneração de seus prestadores, pela absoluta falta de contratação de fisioterapeutas por parte dos serviços públicos e privados brasileiros, bem como que deixem de receber o que lhes é garantido pela constituição federal, onde diz que saúde é dever do estado e direito do cidadão.

Apesar do alarmante número de pacientes necessitados de atendimentos fisioterapêuticos, estes inexistem nas equipes do PSF e muitas equipes do NASF também não contam com este profissional. Ainda no serviço público, os centros de atendimentos fisioterapêuticos encontram-se tão lotados que a média de espera por atendimento é de meses, tempo em que os quadros clínicos dos pacientes agravam-se de forma assustadora. Quem previne disfunções ou cuida de nossos sequelados? Quem lhes garante o restabelecimento de suas funções?

Dia 25 de novembro DE 2009 estaremos em Brasília, na sede da OAB, suplicando por políticas publicas de saúde que envolva a fisioterapia porque isso é UMA NECESSIDADE DA POPULAÇÃO. Estaremos implorando à ANS a implementação da Saúde Funcional.

A fisioterapia não é um luxo como alguns pensam, é na verdade uma necessidade absoluta, e dela dependem milhares de pacientes para a prevenção de doenças, correção de deformidades e o restabelecimento de suas funções.

Dignidade em saúde se alcança com respeito. Respeito ao cidadão e ao profissional na execução e remuneração de seus atos.

Senhores cidadãos brasileiros e usuários de planos de saúde defendam seus direitos junto aos governantes e aos seus convênios, cobrem dos mesmos o que se comprometeram a dar. Fisioterapia também é dever do estado e direito do cidadão, exijam seus direitos e não aceitem pagar caro por planos que explorem a mão de obra dos profissionais de saúde. Quem se filia a planos de saúde que remuneram mal aos seus prestadores torna-se vítima destes mesmos planos.
Aliem-se a esta luta, ela á a garantia de uma saúde melhor, mais digna e mais democrática.

Comissão Nacional da MOBILIZAÇÃO PELA DIGNIDADE DA FISIOTERAPIA.
Comissões Regionais da MOBILIZAÇÃO PELA DIGNIDADE DA FISIOTERAPIA.

Comissão Nacional e Regional da Mobilização14/10/2009 "

(Texto retirado do site da Associação Mineira de Fisioterapia- AMF)




terça-feira, 13 de outubro de 2009

13 de outubro: Dia do fisioterapeuta!


Hoje, dia do fisioterapeuta, enquanto buscava na internet uma definição para FISIOTERAPIA, encontrei desde “Ciência que estuda o movimento humano”, passando por “área da saúde que se responsabiliza principalmente pela prevenção e tratamento das disfunções do movimento humano” e até a definição atual do COFITTO (É uma ciência da Saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações genéticas, por traumas e por doenças adquiridas). Ao meu ver é muito difícil definí-la. Trata-se de uma profissão relativamente nova e de pouco conhecimento até mesmo pelos profissionais de outras áreas da saúde. Para muitos ainda é a “ciência do estica e puxa”.
Muito me alegra o fato desse panorama estar mudando: A cada dia vejo a população, quaisquer que seja seu nível sócio-cultural, valorizar e entender a real importância do fisioterapeuta; seja cuidando domiciliarmente de um idoso, seja nos hospitais, clínicas, academias, centros esportivos, empresas, ou num espaço que vise a promoção de qualidade de vida.
Fisioterapia não é por si só luxo. Pode até ser!! Mas é um serviço de utilidade pública, um direito de todos.
A dignidade da profissão depende de nós. Não podemos culpar convênios, outros profissionais ou empresas. Se não nos é pago o valor devido pelo nosso atendimento, simplesmente não o façamos!! Não sou contra caridade. Acho até muito importante... mas não confundamos a caridade de se sair voluntariamente da sua casa para ir a uma instituição ou domicílio prestar atendimento gratuito de qualidade com atuação em locais onde não se é valorizado e onde se torna impossível oferecer tratamento adequado. Isso acaba por denegir a profissão pois a visão que os pacientes tem da fisioterapia diante do exposto é que “não funciona”.
Sejamos éticos, honestos e dignos com nós mesmos!!!


Manuela Belo Franco Bárbara

Fisioterapeuta pós-graduanda em fisioterapia geriátrica pela FCMMG- MG


Atendimento domiciliar em Belo Horizonte

sábado, 10 de outubro de 2009

Síndrome do túnel do carpo


A Síndrome do túnel do carpo (STC) é a mononeuropatia do nervo mediano, que pode pode ser comprimido na região do túnel do carpo por qualquer proliferação tenossinovial, anormalidade da articulação do punho, tumor ou anomalia muscular.
A prevalência da STC varia de 51 a 125:100 000, ocorrendo mais freqüentemente no sexo feminino entre 40 e 60 anos. A compressão do nervo decorre na maioria dos casos de tenossinovite crônica flexora não específica, podendo ocorrer também em muitas outras entidades nosológicas ou lesões que ocupem espaço no túnel.
Os pacientes com STC podem ser divididos em três grandes grupos ou categorias:. Sintomatologia leve intermitente: Dor, dormência e formigamento na área de representação do nervo mediano, predominantemente noturno, acordando o paciente várias vezes; sintomas diurnos posicionais; o retorno à normalidade é alcançado rapidamente por mudança de postura ou movimentação das mãos; o exame neurológico está normal e os testes de Tinel e Phalen podem estar positivos. O exame de condução nervosa pode estar normal (anormalidade isquêmica rapidamente reversível) ou revelar lentificação incipiente da condução do nervo mediano no carpo.
Sintomatologia persistente: Déficit sensitivo e perda da habilidade manual (déficit para pinçamento); dor tipo queimação, dormência mais acentuada, sensação de edema e congestão na mão; melhora muito mais lenta mesmo com mudança de postura ou movimentação das mãos; o exame neurológico revela déficit sensitivo e motor, Tinel e Phalen positivos e eventualmente atrofia tenar; os achados clínicos não dependem do tempo de compressão e sim do grau de lesão ao nervo mediano. O exame de condução nervosa revela lentificação evidente do nervo mediano no carpo.
STC grave: Acentuada perda sensitiva, inclusive discriminação de dois pontos, com déficit funcional grave e acentuada atrofia tenar e de pele; prognóstico mais reservado mesmo após descompressão.
O tratamento, a depender do grupo em que se situa o paciente pode ser conservador ou cirúrgico. A fisioterapia enquadra-se tanto no conservador, quanto na fase pós-operatória.
A primeira atitude que deve ser tomada para o tratamento STC é a mudança comportamental e de estilo de vida. Deve ser encorajada a adequação do posto de trabalho, com alterações ergonômicas visto que trata-se de uma condição bastante comum em trabalhadores que realizam movimentos repetitivos com o punho (bancários, secretárias, telefonistas...). Além disso o paciente deve perder peso e incorporar hábitos saudáveis.
Exercícios de alongamento e fortalecimento para flexores e extensores dos dedos e punho, exercícios metabólicos, bandagens funcionais devem ser feitos sempre com orientação.
Na fase aguda pode ser incluída também a crioterapia e/ou outros recursos analgésicos.
Em alguns casos, uma órtese pode ser prescrita a qual trata-se uma tala de imobilização (splint),que extende-se do meio da palma da mão até acima do punho, mantendo-o em posição neutra.
Havendo falha no tratamento conservador incluindo a injeção de corticóide intratúnel deve-se pensar em cirurgia.



Manuela Belo Franco Bárbara

Fisioterapeuta pós-graduada em fisioterapia geriátrica pela FCMMG-MG


Atendimento domiciliar em BH para idosos